sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Discurso de tomada de posse da Associação de Alunos

Ontem, dia 7 de novembro, quinta-feira, deu-se a tomada de posse da minha Associação de Alunos, um momento que, apesar de ter relativamente pouca importância, marcou um passo importante na minha vida. Não apenas por ser o culminar de um longo percurso, com altos e baixos, desde que entrei pela primeira vez numa sala de aula, ainda estava no Queen, percurso em que me tornei o menino adorado dos professores, o "bom rebelde", sempre aquém das expetativas. Cresci, e embora isso não se tenha revestido de um significativo aumento do meu empenho em matéria escolar - o meu forte foi sempre desviar-me dessa matéria, apesar de ter crescentemente melhorado as notas no Secundário -, reviu-se sim num aumento de maturidade, em pequenas mudanças de caráter e de personalidade, de atitudes e comportamentos, de sonhos e de pensamentos. Não quer dizer que sou maturo; pelo contrário, em muitos aspetos continuo a ser esse "bom rebelde", que insiste em não crescer, em revoltar-se contra o sistema, e considero isso algo bom em mim de qualquer maneira. Mas cresci. E, farto de ser uma desilusão para todas as pessoas, empenhei-me um pouco em alguma coisa por uma vez na vida. Teve resultados. Não posso dizer que estou exatamente a explodir de alegria, ou incrivelmente orgulhoso, mas não é mau cumprir com aquilo que as pessoas esperavam de nós. De qualquer maneira, abaixo está o discurso que proferi nessa cerimónia. Foi feito com toda a sinceridade. Algumas partes estarão mais bem conseguidas, outras menos, mas enfim, espero que gostem.



Bom dia a todos.

Caríssimo diretor, caro vice-diretor, caros coordenadores e professores, caro Presidente da Associação de Pais e Mestres, caro Presidente da Associação de Alunos, caros colegas Presidentes de lista, colegas de lista, e caros delegados,

É com enorme orgulho e gratidão que tomo posse como Presidente da Associação de Alunos do Externato Marista de Lisboa.

Gostaria de agradecer, antes de mais, a todos os alunos que, nas últimas eleições, expressaram a sua vontade nas urnas. Ao votarem, não só usufruíram de um direito que por si só vale muito, e pelo qual muitos estudantes lutaram em gerações passadas; além disso, por terem sido tantos a votar, contribuíram para elevar as expetativas em torno da Associação, e elevar também a responsabilidade de fazer cumprir aquilo que prometemos.

Agradeço a todos os meus colegas de lista, sem os quais eu certamente não estaria aqui, e que provaram, com uma grande campanha, que o nosso projeto é possível, e que merecem estar aqui, para este mandato que hoje se inicia.

Agradeço, também, à Direção, aos coordenadores, aos professores e funcionários que com o maior zelo acompanharam todo o processo de campanha e eleições do princípio ao fim.

Ao Diogo e ao Filipe, e a todos os membros da lista C, que hoje termina o seu mandato como Associação, um sincero obrigado pelo empenho e pelo trabalho demonstrado ao longo do ano. E aos meus dois colegas, Presidentes das listas M e Tag, Gonçalo e João, obrigado pelo esforço e dedicação com que dignificaram e engrandeceram esta campanha, e espero que juntos possamos trabalhar para que a voz de todos os alunos, do 5º ao 12º ano, não apenas da maioria, seja ouvida da melhor forma.

A todos agradeço a vossa presença, e espero estar à altura da confiança com que me honraram nestas eleições.

Terminada a campanha e as eleições, arrumados os panfletos e os cartazes, feitos os festejos da vitória, começa agora o trabalho árduo, e duro, de fazer cumprir o que prometemos e honrar essa confiança em nós depositada. Nada será fácil, mas uma coisa garanto: faremos o nosso melhor, cientes da realidade em que vivemos e das limitações que temos, mas também não esquecendo os desejos e as vontades de cada aluno. Acima de tudo tentaremos honrar aquele que é o espírito marista, com uma ação sempre pautada pelas três violetas, esse três princípios que estão na base desta instituição: a humildade de quem reconhece os seus próprios erros e procura soluções melhores; a simplicidade de quem age com franqueza e naturalidade, sem rodeios, sem mentiras, sempre à vista de todos; e a modéstia de quem não admite luxos ou vaidade, ambições ou pretensões, mas está ciente das suas limitações e tenta fazer o melhor a partir disso. Agiremos sempre segundo esse espírito. O espírito que há mais de 60 anos levou os irmãos Gabriel e Cirilo Manuel a virem para Portugal e aqui edificarem o primeiro colégio marista. O mesmo espírito que cem anos antes tinha levado Marcelino Champagnat a não se conformar com o estado das coisas, a dar um passo em frente, a encontrar mudanças para um mundo que, no caos da revolução e do Terror, esmorecia no medo e na insegurança, no ódio e no radicalismo. O espírito que o levou a fundar a Congregação que tem o nome de Maria no seu símbolo e que hoje se espalha pelos cinco continentes. Esse espírito que tem como objetivo, único e grandioso, o de formar bons cristãos e virtuosos cidadãos.

Conscientes disto, tomaremos sempre as nossas decisões nunca indo contra os valores que fizeram desta escola aquilo que ela é hoje. Ajudaremos os nossos alunos promovendo e auxiliando o estudo. Incentivaremos a prática desportiva, que tanto nos distingue das outras escolas. Encontraremos novas formas de lazer, novos tipos de conforto que façam com que os alunos se sintam melhores no espaço escolar, tentando sempre equilibrar o descanso e o trabalho. A partir de coisas pequenas, coisas práticas, esperamos fazer a diferença.

Tentaremos aproximar os alunos daquela que é a sua Associação. Quaisquer sugestões e críticas serão bem-vindas. Aos mais céticos e pessimistas, mostrar-vos-emos que, quando se quer, tudo é possível, mesmo com os recursos mais limitados. Aos que, como nós, desejam uma escola melhor, e uma Associação próxima de todos os alunos, juntem-se a nós, tomem este projeto como vosso. Mais do que simples promessas, mais do que palavras ocas, no fim, o que importa é o que fizemos pela escola. E isso não vem apenas de nós; se queremos que o nosso projeto tenha verdadeiramente sucesso, precisamos, também, da vossa ajuda, do vosso entusiasmo. Contamos com isso.

Aos delegados aqui presentes, desejo votos de sucesso para todo este ano. Que sejam exemplos para todos os alunos, e que dignifiquem a posição que os vossos colegas vos confiaram, essa posição tão importante que é a de representar uma turma inteira. Também vocês têm um papel central nesta escola. Espero que, juntos, possamos representar e servir os interesses de todos os nossos colegas, e erguer mais alto o estatuto e a obra desta Associação.

Hoje toma posse uma lista que não representa apenas uma maioria, mas todos os alunos. Exatamente por causa disso, aproveito para tomar como lema, na linha do que a nossa lista representa, e esquecendo por um momento eventuais relações com entidades desportivas que se possam fazer, um célebre provérbio latino: “E pluribus unum”. De muitos, um. Porque não obstante todas as diferenças que nos separam, ou quaisquer motivos que nos dividam, existe uma coisa que nos une, que nos distingue a todos, e que marca toda a diferença: sermos alunos do Externato Marista de Lisboa.

Daremos o nosso melhor. Com esforço, com perseverança, com humildade, simplicidade e modéstia. Juntos poderemos fazer a diferença. Porque esta é a vossa associação. Porque juntos somos mais, e juntos somos um, e juntos podemos fazer história nesta Associação de Alunos. Agora, mãos à obra.

Obrigado a todos.